Artigo


 Política de Planejamento Familiar

 

 

A Igreja, em sua missão e perspectivas, reconhece e compreende as dificuldades e as angústias de cada pessoa, muitas vezes, no seu grande desafio em seguir um planejamente natural da família. A sua responsabilidade é permanecer fiel ao ensinamento dos valores antropológicos e morais, assim como a castidade, sem se deixar levar por um ativismo cego e de aprovação de qualquer ação proposta em “Política de Planejamento Familiar”.

 

Não é demais reafirmar que a sexualidade humana é um dom de Deus, que precisa ser conhecida, cuidada e protegida ao longo de toda a existência. O Catecismo da Igreja Católica assim assegura: “A sexualidade abraça todos os aspectos da pessoa humana, na sua unidade de corpo e alma. Diz respeito particularmente à afetividade, à capacidade de amar e de procriar e, de maneira mais geral, à aptidão a criar vínculos de comunhão com os outros” (CIC 2332). Somente pode ser compreendida a partir de uma perspectiva integral de todos os aspectos biológicos, sociológicos, sociais, econômicos e espirituais que a compõem.

 

É verdade que “o matrimônio não foi instituído apenas para o fim da procriação. Mas a própria índole do pacto indissolúvel entre pessoas e o bem da prole exigem que também o amor mútuo se realize com a reta ordem, que cresça e que amadureça. Por isso, embora os filhos muitas vezes tão desejos taltem, continua o matrimônio como íntima comunhão de toda a vida, conservando seu valor e sua indissolubilidade” (Gaudium et spes, 50).

 

É verdade que os Métodos Naturais de Planejamento Familiar nem precisam ser confrontados com outros métodos, pois eles se impõem pela própria qualidade de vida que trazem para a vida dos cônjuges. A saúde integral do corpo e da relação é um forte argumento. A eficácia do Planejamento Familiar adequado vai além dos números e percentagens.

 

Diante disso, os Métodos Naturais Modernos de Planejamento Familiar são a única via lícita e moral para que os cônjuges respeitem a integridade do ato sexual humano e exerçam o privilégio de serem pais e mães como um ato responsável, que protege integralmente aos cônjuges, e o qual eles podem decidir livres, responsáveis e informados sobre o número e espaço de tempo para terem seus filhos.

 

A Igreja Católica anuncia com alegria e convicção a Boa Nova da família, santuário da vida, igreja doméstica, patrimônio da humanidade, tesouro dos povos, ao interior da qual se forja o futuro da humanidade. É por isso que se convida aos teólogos, cientistas e casais cristãos a colaborarem com o Magistério hierárquico para iluminar melhor os fundamentos bíblicos, as motivações éticas e as razões científicas, para promover e anunciar uma paternidade e maternidade responsáveis.

 

Asseguramos que a Igreja, Mãe e Mestra, que ama a todos sem distinção de raça, sexo, cor, religião, cultura ou condição social, através do seu Magistério, não pretende “desafiar” e nem interferir nas Políticas de Saúde Pública do Governo no que diz respeito ao Controle da Natalidade, mas considera que não é moralmente correto apresentar o preservativo, a chamada “pílula do dia seguinte”, a esterilização, a vasectomia, o aborto ou outros métodos artificiais como se fossem moral e eticamente admissíveis na regulação dos nascimentos.

 

É necessário sublinhar que frente às polêmicas geradas no mundo sobre a família e sua constituição natural, a Igreja não está contra nada, mas só tem o propósito de manter o Evangelho da vida e da família. A nós, cabe propor o modelo familiar que sabemos ser o mais completo, o mais harmonioso, e que se prolonga nos filhos como frutos naturais de todos os valores. É dever da Igreja apoiar as pessoas ou as organizações que promovem o Planejamento Familiar Natural, autorizando e animando a abertura de Centros Diocesanos ou Paroquiais, onde se ensina cientificamente os Métodos Naturais por pessoas qualificadas, em suas respectivas dioceses.

 

Por fim, podemos sim construir uma nova cultura da sexualidade humana, ajudando a redescobrir a verdade do ser humano, sua fertilidade e sexualidade, bem como o desejo de Deus para o ser humano.

 

O desafiador caminho de todos os envolvidos com a causa do “Planejamento Natural da Família” está em serem testemunha e sinal concreto do Amor de Deus.

 

Pe. Luiz Antonio Bento

Assessor Nacional da Comissão Episcopal Pastoral

para a Vida e a Família – CNBB