Com o 1º. Domingo do Advento iniciamos o novo Ano Litúrgico. Será ele a preparação próxima para a celebração do Nascimento de Jesus, o filho de Deus feito homem que escolheu habitar entre nós. É o encontro de Deus com a humanidade e da humanidade com Deus, encontro que se realiza em Jesus.
Estamos em tempo de espera do Senhor que já está no meio de nós e age em nós e através de nós. A atitude de abertura, de espera, de busca, de desejo é essencial para que o dom do Pai feito em Seu Filho Jesus no Amor – Seu Espírito Santo – realize-se envolvendo em Nova Vida toda a humanidade que necessita e o busca, mas nem sempre sabe encontrá-lo.
Somos todos chamados a viver intensamente o Advento na espera e na chegada de Jesus, nosso Senhor, Salvador e Irmão. Somos todos chamados a anunciar ao mundo a Grande Novidade, o Evangelho que ressoa nesta terra há mais de 2000 anos: “Ele está no meio de nós!”
A liturgia de Natal comemora a aparição no mundo do Filho de Deus, o seu nascimento em Belém, e as suas primeiras manifestações aos homens. Mas a Igreja não vive o Natal de Jesus como um acontecimento do passado e distante de nós: a graça do Natal continua, e continuam a alegria e a surpresa daquele acontecimento da caridade de Deus que nos salvou com a encarnação do seu Verbo.
No tempo natalício nos reunimos em torno de presépio, mas, sobretudo paramos para meditar sobre o mistério de Deus que se faz homem; o Eterno que entra na brevidade dos nossos dias; o Invisível que se faz visível. Uma vida, ainda que muito longa, não basta para entender um amor e uma misericórdia tão grande, o interesse que Deus tem pelo homem, esta paixão divina por nós.
No Natal se revela toda a dignidade do homem redimido. Revela-se a gravidade do pecado que é a causa do verdadeiro envelhecimento, bem mais grave do que o envelhecimento daquele que vive longos anos de vida. Não devemos temer a velhice do corpo, mas aquela da alma. Com Cristo, Filho eterno de Deus, também nos tornamos filhos de Deus. Em Cristo reencontramos o Pai, e por isso, não somos mais estrangeiros uns aos outros, mas verdadeiros irmãos. Poder-se-ia dizer que em Belém se forma a família de Deus composta de todos os homens.
Então, sejamos admiradores e alegres. A razão é esta: com o nascimento do Salvador nós somos salvos. Em Jesus – como diz o II Prefácio – Deus aparece “visivelmente na nossa carne” e começa a “existir no tempo”.
Neste tempo de espera e esperança, de atenção e vigilância, apressemos com nosso esforço corajoso, confiante, seguro e amoroso de cada dia nossa entrega ao nosso projeto de vida, que é a construção do sonho de todos nós: uma “Terra sem males”.
Assim, desejo transmitir a todos o verdadeiro sentido do Natal que, por muitos motivos, tem sido esquecido e “descristianizado”. Se quisermos que o Natal não se transforme apenas em troca de presentes e panetones; se quisermos que a poesia dos pastores e dos presépios não sejam apenas uma lembrança da infância, mas seja o Natal das nossas crianças, então a festa de 25 de dezembro é a melhor ocasião para procurar aquela atmosfera de magia e de encanto que somente o Natal consegue dar.
Jesus tornou-se um de nós para que saibamos, portanto, compreender a magia da presença de Deus no nosso interior; junto com esta presença sintamos todo o amor, a alegria e a paz que nos convidam a viver e a manifestar a compaixão, a piedade, a solidariedade e a fraternidade.
Ajudemo-nos uns aos outros; amemo-nos mutuamente com aquele amor que Cristo amou a Igreja; perdoemo-nos reciprocamente e sejamos um para o outro uma presença do Deus misericordioso.
Feliz Natal e Ano Novo repleto de ótimas e santas realizações para todos, em particular aos agentes da Pastoral Familiar do Brasil. Continuemos firmes nesta maravilhosa missão que do Pai recebemos: promover e defender os valores inestimáveis do matrimônio e da família. Deus abençoe a todas pelas lindas e frutuosas iniciativas colhidas ao longo deste ano em todos os Regionais, Dioceses, Paróquias e nas pequenas comunidades.
Padre Luiz Antonio Bento
Assessor Nacional da Comissão Episcopal
Pastoral para a Vida e a Família
CNBB